“tem gente morando aqui”
O recado vem das três famílias que vivem no Cais José Estelita e não sabem qual será o seu destino
Três famílias assinam, no remetente, o endereço na Avenida Engenheiro José Estelita, bairro de São José, região central do Recife. A via, com 1,4 quilômetro de extensão e léguas de polêmica, resguarda ao fundo um terreno com cerca de dez hectares. Os moradores são os únicos da área, isoladas entre armazéns abandonados e trilhos de trem desativados. Dos portões das três casas, a vista reluzente para as águas doces da bacia do Pina, quase um mar de Capibaribe. O cheiro forte da maresia enche de marasmo os jardins.
Mal havia começado o ano de 2013 quando um verde limão deu destaque ao número 43, em meio à paisagem desbotada. Do muro ao teto, tudo pintado de cítrico. As casas, de plantas muito parecidas, têm pé direito alto, piso de cimento queimado, portas que alcançam três metros de altura e amplas janelas de madeira. Todas apresentavam a mesma cor até pouco tempo atrás — um amarelo clarinho, que os moradores mantiveram ao longo dos anos.
Na casa fluorescente, a primeira da rua, vive, há 17 anos, a família de Luciene Menezes, 41. A dona de casa mora com o marido, Wanderly Menezes, 46; duas filhas, Lydia, 22, e Lylian, 19; o pai, Luiz, 84, que precisou de cuidados ao apresentar sintomas de Alzheimer; o genro, Davidson, 24, que casou com Lydia; e o cachorro Toffy.
A casa do meio é habitada por Osângela Mecias Bezerra, 34; o marido, Cláudio, que trabalha na construção civil; a filha, Amanda, de 1 ano; e o filho, Diêguis, de 6. Osângela mudou-se para lá há 14 anos, depois que o antigo morador se aposentou e deixou o lugar. Antes, ela vivia com o pai, Osmando Mecias Pretinho, na última casa da via. Quando Osmando morreu, há três anos, a madrasta de Osângela, Maria do Carmo Silva, 54, ficou sozinha no local. Também no início do ano, escolheu um vermelho escuro para a fachada. A família de Osângela manteve o amarelinho.
Tanto Wanderly quanto Osmando eram funcionários da antiga Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Era 1987 quando Wanderly passou no concurso para trabalhar na empresa. A namorada tinha 16 anos. “Fizemos nossa festa de casamento quando soubemos da notícia”, lembra Luciene — a foto (no detalhe acima) está na parede da sala. Logo que o marido foi admitido na empresa, foram transferidos do Recife para Palmares, na Mata Sul do estado. Depois, migraram para Pesqueira, no Agreste. “As próprias características da ferrovia acarretavam o deslocamento e eventual transferência dos técnicos vinculados à operação e à manutenção da ferrovia, inclusive em obras de reparação preventiva e corretiva”, informa a equipe de comunicação da inventariança da RFFSA (que administra os bens da empresa, após a extinção).
Sempre que os trabalhadores se mudavam, iam viver em casas construídas pela companhia, vinculada ao Ministério dos Transportes. Os imóveis eram erguidos em locais estratégicos, para que os funcionários morassem perto do local de trabalho, e destinavam-se principalmente aos trabalhadores que operavam e mantinham a via férrea. Com o tempo, pequenas vilas ferroviárias se transformaram em cidades.
Quase dez anos depois, em 1996, Wanderly e Luciene voltaram para o Recife, já com as pequenas Lydia e Lylian no colo, e se instalaram na casa onde estão até hoje. “As meninas cresceram brincando na ferrovia. E meu marido ia andando por trás da casa todos os dias para chegar ao trabalho”, conta Luciene. Pela estação ferroviária das Cinco Pontas, inaugurada em 1858 ao lado do Forte, passavam linhas que ligavam a capital pernambucana ao interior do estado e a Alagoas, carregadas de mercadorias e passageiros.
Osângela também passou por várias cidades do interior, acompanhando o pai. “Nós moramos em Serra Talhada, em Sertânia, em Arcoverde e em Ribeirão, até chegarmos ao Recife”. Ela tinha 13 anos quando foi morar no Cais. “Aqui atrás de casa tinha um campo de futebol, e a gente passava o dia jogando bola”. Cresceu por ali, assistindo ao entra e sai de caminhões no Armazém de Açúcar. No álbum, guarda fotos do dia da inauguração do galpão, quando os imensos quadrados coloridos pintados na fachada alegravam o cartão postal da cidade.
Todo o terreno do Cais José Estelita era de propriedade da RFFSA. A Rede Ferroviária, fundada em 1957, funcionou como empresa pública por 40 anos, até ser vendida para sete concessionárias diferentes em 2007. A malha ferroviária nordestina ficou sob responsabilidade da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), depois renomeada Transnordestina Logística S/A — empresa para a qual Wanderly hoje trabalha. “Foi só começar esse processo de privatização (a dissolução de posse teve início em 1999) para os trens irem parando. Hoje, não passa mais nenhum por aqui”, diz Luciene. “Vivi todo o processo de abandono dessa área — das ferrovias, dos armazéns, das casas”, completa Wanderly.
Wilson Moura, analista comercial da Transnordestina em Pernambuco, explicou que não há mais ferrovia da empresa em funcionamento no estado e que a parada final foi trazida pelas cheias de 2010. “Com a enchente, o trecho que liga Pernambuco e Alagoas ficou destruído e precisou ser desativado”. Não será recuperado. “Estamos investindo na construção da Nova Transnordestina, que vai ligar o Porto de Pecém, no Ceará, ao Porto de Suape. Há muita gente trabalhando na construção da ferrovia no interior”. A previsão é de que as obras sejam concluídas em 2015, para que circulem principalmente trens carregados de grãos.
a novidade veio dar no cais
A RFFSA foi extinta pela Lei nº 11.483, de 22 de janeiro de 2007, regulamentada pelo decreto nº 6.180. Após a privatização da empresa, os moradores que ocupavam as casas continuaram morando lá. Todos os bens que não foram arrendados às concessionárias de carga foram transferidos para a União, representada pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão do governo federal.
Um terço do terreno, a faixa que é margeada pela Avenida Sul, pertence à Transnordestina, sob domínio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Chegou-se a comentar o interesse do governo em montar um polo administrativo nos outros dois terços, mas essa parte do terreno acabou sendo leiloada em outubro de 2008. O Consórcio Novo Recife, encabeçado pela construtora Moura Dubeux em conjunto com as empresas Queiroz Galvão, GL Empreendimentos e Ara Empreendimentos, arrematou a área, no Cais José Estelita, com um lance de R$ 55,4 milhões.
Luciene conta que as famílias foram pegas de surpresa com a notícia. “Nós ficamos sabendo da venda do terreno pelos jornais”. Passados quase cinco anos do leilão, ainda não sabem se terão que desocupar os imóveis, nem se serão indenizados. “Conhecemos o projeto que foi apresentado. Mas, até agora, ninguém falou nada sobre as nossas casas, se vamos precisar sair, nada” (até o fechamento desta edição, na quarta-feira, dia 27, continuavam sem notícias).
Na sala, o piso de cimento começou a ser trocado por cerâmica. “Mas parei”, diz Luciene. “Não adianta investir na casa sem saber quanto tempo nos resta aqui”. Duas reformas, no entanto, seguiram em frente: a dona de casa construiu um quarto para o pai e um puxadinho para Lydia e Davidson.
Dos moradores que vivem hoje no Cais, Maria do Carmo foi a primeira a chegar, em 1988. Casada com Osmando, criou quatro filhos. “A gente tinha esperança de conseguir comprar a casa, mas nunca tivemos resposta do Patrimônio. Foi quando a gente ficou sabendo pelos noticiários que a Moura Dubeux tinha comprado tudo”, afirma. “A gente vê nos jornais que as casas vão ser tombadas, mas ninguém fala nada sobre a gente. Eu criei meus filhos aqui, meu marido morreu nessa casa. E agora? Vão vir com uma ordem de despejo?”.
Depois que Osmando faleceu, Maria do Carmo ficou sozinha e conta que o imóvel já foi arrombado algumas vezes. A solução foi radical: “Aqui é perigoso demais. Precisei mandar subir paredes para tampar as janelas e as portas por fora, para evitar ladrão. As vizinhas também têm medo. Na porta da casa de Luciene, um alarme anunciava se alguém tentasse forçar a maçaneta (quebrou e não foi consertado). Cadeados trancam as janelas. “Quando minha filha se casou, quis que ela continuasse morando conosco”, diz a dona de casa. “Quanto mais gente movimentando a casa, mais seguro”. Pela avenida, não se veem pedestres caminhando na orla. Linda, com bancos para os visitantes sentarem à beira do rio, mas abandonada.
A casa de Osângela tem grades nas portas, e a janela, chumbada, não abre mais. “No dia do meu aniversário do ano passado, mesmo dia do réveillon, arrombaram meu portão e levaram tudo o que estava na varanda”. Em janeiro deste ano, 140 luminárias do Cais José Estelita foram roubadas. “Foi aqui, na frente da minha casa. A gente estava vendo o roubo, ligando para a polícia, e ninguém apareceu”. De acordo com a Emlurb, todas as 182 luminárias da via serão trocadas. O serviço começou há duas semanas e a previsão é de que seja concluído na primeira quinzena deste mês.
As casas ficam longe de tudo. Para ir ao mercado, à farmácia ou à papelaria, é preciso pegar um ônibus até o Pina ou ao centro. As famílias acabaram ficando muito próximas. “Quando eu precisava sair e as meninas eram pequenas, as vizinhas olhavam elas pra mim. A gente troca fósforo, ovo e sal quando acaba na dispensa”, conta Luciene. O filho mais velho de Osângela estuda numa escola no Pina, onde também estudaram Lydia e Lylian, e vai e volta de condução particular. A mãe pega o filho na porta de casa. Quando Lylian vai para o estágio, também precisa de companhia. “Eu fico com ela até o ônibus passar, porque é perigoso demais ela ficar sozinha”, diz a mãe.
Em abril de 2012, os moradores viram um movimento trazer vida, mesmo que momentânea, ao cais. O Ocupe Estelita, organizado pelo Grupo Direitos Urbanos, lançou uma campanha para chamar a atenção dos recifenses para a área, defendendo um novo perfil de ocupação. “O cais estava lotado. Coloquei uma barraca para vender lanches e foi bom demais. Com o dinheiro, consegui pagar parte da festa de casamento da minha filha”, diz Luciene.
Os participantes protestavam contra o Projeto Novo Recife, apresentado pelo consórcio dono do terreno, que planeja construir um complexo com doze torres ao longo da avenida (residenciais, empresariais e hoteleiras), praças, parques e centros culturais. Segundo o consórcio, cerca de 45% do espaço será de livre circulação pública. Há basicamente duas frentes de combate ao projeto. A primeira, que resultou no Ocupe Estelita, contesta o impacto urbanística que o empreendimento pode provocar no Recife. A segunda linha diz respeito ao aspecto jurídico envolvendo a papelada necessária para o início da construção.
Apesar de todas as investidas do grupo Direitos Urbanos, o Novo Recife foi aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano do Recife (CDU) no final de dezembro de 2012. A legalidade da reunião, realizada a quatro dias do fim da gestão anterior na Prefeitura do Recife, foi contestada judicialmente pelo grupo de ativistas. Além de questionar a composição do conselho, o grupo aponta uma série de irregularidades, sobretudo pendências de análises e autorizações obrigatórias de outros órgãos para a liberação do empreendimento.
Com bases nas mesmas alegações, o Ministério Público Federal (MPF) obteve, no último dia 26, uma liminar embargando a obra, além de obrigar o consórcio a repor o telhado dos antigos armazéns de açúcar. Quatro dias antes, o juiz José Ulisses Viana, da 7º Vara da Fazenda Pública, também concedeu liminar que suspende o Novo Recife. Nesse caso, o pedido foi proposto pela Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania, Habitação e Urbanismo do Ministério Público Estadual, numa ação civil pública contra o município do Recife. Foram apontadas irregularidades na avaliação dos projetos arquitetônicos, a ausência de participação da Fundarpe e do Iphan e de consulta prévia ao DNIT, além de erros na composição do CDU no dia da aprovação do projeto, entre outros pontos.
Na última quarta-feira, dia 27, uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Pernambuco discutiu o Novo Recife. O debate foi pontuado por divergências entre os representantes do Ministério Público e do consórcio quanto à legalidade do empreendimento.
Se o projeto for em frente, os moradores das três casas instaladas no Cais José Estelita deverão deixar os imóveis e serão indenizados — valor e prazo serão definidos legalmente. Foi o que informou o Consórcio Novo Recife, por meio de sua assessoria de comunicação. A proposta do Consórcio é instalar pontos comerciais nos imóveis, como cafés e revistarias.
Em entrevista à Aurora, no dia 14 de fevereiro, o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Pernambuco, Frederico Almeida, afirmou que não há impedimentos para o início das obras do projeto Novo Recife nem há imóveis tombados no local. “A área já foi avaliada pelo Iphan e foi constatado que ela não tem representatividade nacional para ser considerada patrimônio cultural. Isso inclui a malha ferroviária, bem como tudo o que está no terreno”. A liminar obtida pelo MPF no último dia 26 estabelece que o Iphan deve providenciar abertura do processo de tombamento dos remanescentes do caminho de ferro no trecho Cinco Pontas-Cabo, “voltando a analisar os projetos pertinentes ao empreendimento Novo Recife diante desse novo contexto”.
Na parte de trás das casas, um matagal cobre os trilhos, que se revelam em algumas partes do caminho, cercados por flores brancas. Uma casinha antiga, onde funcionava uma balança para pesar os produtos que seriam descarregados, parece perdida no cenário datado. Um varal deixou fardas dos funcionários quarando ao sol. Mais além, vagões de trem seguem estacionados, nos trilhos por onde rumavam passageiros. O Armazém do Açúcar, com as paredes todas manchadas, já foi todo destelhado e só se veem as armações de ferro que davam suporte às telhas.
“Todo mundo fala da demolição dos galpões, mas ninguém fala das casas”, diz Osângela. Há quem passe pelo Cais José Estelita todos os dias e não imagine que há famílias morando ali. “Meu marido pintou a casa mesmo com as costas doendo. E escolheu essa cor chamativa, verde limão, que a gente nunca tinha usado”, conta Luciene. Queria passar um recado: “Tem gente morando aqui”. (Texto: Camila Almeida / Fotos: Alcione Ferreira)
Pessoal felizmente sai uma reportagem sobre nossa realidade do cotidiano. Moura dubeux e GL empreendimentos nem dá sinal de vida.
BELÍSSIMA REPORTAGEM,O DIÁRIO ESTÁ DE PARABÉNS.MOSTROU TODA REALIDADE DESSAS FAMÍLIAS QUE MORAM NO CAIS. MAS AFINAL,HÁ QUEM REALMENTE PERTENCE ESSAS TRÊS CASAS ????????? SE ALGUÉM SOUBER ,POR FAVOR,ME AVISE.
Oi, Denise
Tudo bem?
As casas pertencem ao consórcio Novo Recife, encabeçado pela construtora Moura Dubeux em conjunto com as empresas Queiroz Galvão, GL Empreendimentos e Ara Empreendimentos, que arrematou a área onde os imóveis estão instalados, em leilão realizado pela União em 2008.
Abs,
Daniela
Parte rica de minha infância e adolescência, assim como, de meus irmãos, Murilo (Dinho), Suzana e Silvio, juntamente com meus pais (Sebastião e Sueli) foi morando na casa do meio, a de número 42, precisamente 12 anos entre a década de 70 e boa parte da década 80. Boas recordações… Sou o mais velho, dentre os meus irmãos (Sebastião Marinho Filho). A RFFSA atravessava naquela ocasião uma franca ascensão com safras de açúcar, milho, soja, trigo, etc. Carregamento de cimento, melaço, dentre outras coisas. Meu pai foi Inspetor Geral de Tráfego e por essa missão tinha direito a moradia fornecida pela referida companhia. Fico triste com toda essa situação, mas não posso negar que aprendi muito ali, pois nos deu, a mim e a todos que habitavam nas três casas a de número 41,42 e 43, muitas experiências valiosas e gratificantes, regatas aos domingos, assistidas da beira do cais, futebol no campinho da explanada, e outras diversões que criança gosta de brincar e assistir. E dali tiramos a maior de todas as experiências o gostar da ferrovia e até os hodiernos dias praticamos em nosso metrô. Eu e meu irmão somos empregados do Metrorec. Sebastião Marinho Filho e Murilo. Importante destacar que esse aprender a gostar de ferrovia veio de meu pai (Sebastião Marinho) e de meus tios (Ivanildo, Gilvan e Irineu todos da família Marinho) e empregados da Rede Ferroviária. Nasci de parteira numa estação da Rede a de Intiboaçú em 1965. Raízes fortes e profundas com trilhos nas veias. Diante de tudo, desejo que o desenrolar desse imbróglio, favoreça as partes envolvidas, ou seja, que não haja perdedores e que se vier com avanços que ganhem todos os envolvidos, preservando de alguma forma, a história ali empregnada, mesmo que venha com o progresso, pois uma coisa não deve se desvincular de outra.. Sebastião Marinho de Barros Filho.
Isto é uma realidade do atraso que essa cidade está vivendo, e ainda tem trouxas sonhando com copa do mundo. As 3 famílias deverão ser indenizadas e o projeto deve ser tocado e a todo vapor. Chega de atraso, fedentina e aspecto de cidade abandonada. Será que esse povo morre um por um e nunca vão abrir os olhos? Depois ficam reclamando que só tem Baianos trabalhando na Fábrica da FIAT…ora, se são qualificados, tem mesmo é que trabalhar lá sim, se os da terra são mortos na roupa, alguém tem que desbravar essa terra seca.
Parabens diario, que maravilha, agora é a justiça definir o que o poder defina o que deve ser mantido e conservar.
O MP e os retrógrado contrários às obras, que revitalizariam o Cais José Estelita, deveriam atender essas famílias, que moram nos arredores, que a reportagem, muito bem, apontou
Parabéns Diário de Pernambuco. O Jornal do Comercio tá fazendo a maior propaganda dos pirulitos que vão descaracterizar o Recife.
A forma deve progresso.A estação cinco pontas de passageiro deve ter uma utilidade cultural,exposições espaços para shows populares,área de atletismo e praça onde toda a população possa usufuir.